sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O VERME

O Verme (Fabio Terra)


Sou o verme preso ao escuro cósmico telúrico
Rastejo atrás da seiva, alimento para minha vida
sem alma.

A podre carne das chagas plebeias
já me serve de entrada,
Esperando pelo preparo da chuva,
molhando a carne junto  ao  calor da terra
que acelera o  seu cozer.


Bactérias se manifestam, vindas  sem convite
para o banquete,
Glutonas não perdoam
boca, nuca, peito, membros, o corpo, o  homem.

Cego sou, não  vejo os outros vermes.
todos com fome,
Começa a guerra começa a glutonia
devo  lutar, devo investir, não há monotonia
Quero o meu pedaço,
Intestino, estomago, vísceras, baço
Quero mastigar, por à mostra a gula


Micróbios chegam até ao  banquete,
Luxuriantes sodomitas, buscam o seu  prazer
onde o  sátiro  exalta a vida  e mastigam com calma
 sabor antisacro.

Perco mais uma chance, chego ao encéfalo
e então corro até a fauna cavernícola do crânio
Onde me delicio com alucinações vorazes,

Paladar contínuo que vicia,  então continuo, 
encontro com lobo  frontal, o rasgo  do  corpo  caloso,
chego ao  cerebelo e mastigo  tudo  antes dos outros
Até chegar  à arvore da vida, que  ali  diante de mim
é devorada no morto corpo.


As asas negras das moscas chegam,
Irão pousar  pra dar  criadouro às suas crias
O clima é propício para a gestação
os ovos explodirão e nascerá a nova geração.

Minha vida verminal continua,
através do negro cósmico da terra,
até encontrar outro  corpo.
Podre pelo  sangue humano, imerso nos males d’alma