quinta-feira, 31 de maio de 2007

MELISSA VAI À ESCOLA

Melissa Vai À Escola (Fábio Terra)

Andando em passos miudinhos, porém certos,
Sorrindo altivamente, de uniforme como manda a tradição
Lancheira na mão, mãe com aperto no coração,
Esperando o sinal tocar.

Andando em passos miudinhos, porém decididos,
Olhando os aviões que passam silenciosamente, batendo asas,
Lancheira na mão, pai escondendo a emoção,
Esperando o sinal tocar.

O caminho curto, para seus passinhos miúdos,
Um novo tempo, uma nova hora
Agora, os passos largos da vida escolar,
Esperando o sinal tocar.

Cabelo no rosto preocupado em ser curioso,
Sorriso sério, mundo estranho, papai não quer te deixar!
Mas é preciso a estranheza compreender e com ela brincar,
Esperando o sinal tocar.

Novos amigos, professora de braços abertos,
Uma aceno sem graça, papai e mamãe bobocas com o coração na mão,
E assim com se fosse a dona da vez, a dona da bola,
Melissa vai à escola.

QUAL TUA TEXTURA.

Qual Tua Textura? (Fábio Terra)

O que te dá medo?
Quais são suas alegrias?
Qual a cor do teu corpo?
E sua alma de que cor seria?

Linha reta, linha torta,
Qual linha você seria?
Você está mais pra sombra?
Ou para, um dia claro sem chuva, com brisa Maria.

Apresenta tua marca!!
É um forte brasão?
Qual é tua textura?
E tua composição?

É feita de macio com um tom apimentado,
Dever cumprido roboticamente calado?
Ou de Raiva, Amor e uma dose desarmoniosa de Pecado,
Como eu.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

O VENTO DAS BOAS NOVAS.

O Vento das Boas Novas (Fábio Terra)

O vento das boas novas veio me avisar,
Que tudo, um dia, iria mudar,
Eu como um tolo com sorriso largo, me pus a acreditar,
Que tudo, tudo realmente iria mudar.

Agora eu estou sentado na varanda,
Com dois amigos e Deus pra me acalmar.

Noite escura, pra mim é sempre dia,
Não tenho certeza se todos os loucos são mesmo filhos de Deus,
Indago o meu próprio ser, o meu próprio eu,
Eu tomo uma aqui, eu uso outra ali,
Mas, nunca sei aonde vou cair.

Agora eu estou sentado na varanda,
Com dois amigos e Deus pra me ouvir.

Eu tenho as feições de um estúpido,
Entalhadas bem na minha cara,
Para esconder, talvez, meu jeito brilhante, arrogante,
Confundindo os seus temores.

Agora eu estou sentado na varanda,
Com dois amigos e Deus pra tirar as minhas dores.

Como um surdo e insensível andei,
Procurando desculpas em uma manhã madrigal,
Tão cansado estou, que nem o sol consigo ver,
E o vento que bate em meu rosto não consegue me acordar.

Agora eu estou sentado na varanda,
Com dois amigos e Deus pra me segurar.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

SOMBRAS SEJAM MINHAS AMIGAS

Sombras Sejam Minhas Amigas (Fábio Terra)


Sombras sejam o meu travesseiro,
Peguem minha cabeça e me façam dormir.

Sombras sejam a minha companhia hoje a noite
Façam a minha mente sonhar
E o meu sonho voar.

Sombras me cubram de todos os perigos
Para que nesse silêncio tão cândido,
Possa, protegido ser, dos homens que guardam a torre.

Sombras sejam minha amigas
Na graça da escuridão,
Deixe-me com meus dedos tocá-las.

Sombras tirem de mim os meu medos.
Sorte é crendice popular,
Mas mesmo assim me faça nela acreditar.

Sombras sejam o meu travesseiro,
Peguem minha cabeça e não me façam chorar.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

OLHOS RETINTOS.

Olhos Retintos (Fábio Terra)


Você é apassionante, o amor te avassala,
Vai!? Nau, não conseguimos ver tudo que há que pra ver
Neste lugar a oeste do comum, deveríamos esquecer,
O lugar onde crescemos,
Pelo menos uma vez, pelo menos até o amanhecer.

Você é apassionante, o amor te avassala,
Fecharia os olhos e dançaria, na sala clara
Como um homem cego, dançaria no escuro,
Com seus olhos retintos, seguindo apenas o coração, o pulso, e o impulso,

Pelo menos uma vez, pelo menos até o amanhecer.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

O RELÓGIO CRIANÇA.

O Relógio Criança. (Fábio Terra)

Tic, Tac, o relógio bate,
Bate o relógio Tic, Tac,
Mostrando-nos as horas sem parar.

Sem parar, ele nos mostra as horas,
Fazendo Tic, tac,
Tic, Tac e dizendo,
Quando começar.

É hora de se dormir,
E não de se começar
A entender o Tic, Tac,
Que o relógio faz sem parar.

domingo, 13 de maio de 2007

A CADA PASSO QUE EU DOU.

A Cada Passo Que Eu Dou (Fábio Terra)

A cada passo que eu dou
Eu aprendo coisas diferentes

Meu coração bate como
Se estivesse enfeitiçado

E ele mirava ao sol
Sempre que se levantava das montanhas

E vinha me dizer,

- Fuja para onde eu te levar,
Mesmo que a chuva quente comece,
Fuja para onde eu te levar.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

POEMA DO ÍNDIO.

Poema Do Índio (Fábio Terra)

O Índio dormia olhando as estrelas,
Então, se apaixonou pela mais bela delas,
E com o seu coração na mão pediu para a palmeira mais alta.

Palmeira.... me leva pro céu!

Palmeira cresceu ainda mais,
E levou o Índio, banhado em paixão e coragem,
Subindo para uma última viagem,
Para a estrela mais bela, seu único e verdadeiro amor.

A NATUREZA DO JUÍZO

A Natureza Do Juízo (Fábio Terra)

A verdadeira noção do juízo,
O ato essencial da inteligência, lógica bruta, criatividade.
E só o juízo assegura a posse da verdade,
Mas o verdadeiro só se percebe,
Quando o espírito afirma, ríspido,
De que fato existe, o fato
Que é poder perceber,
Coisas tais como elas são, na realidade sã.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

CANÇÃO PARA UMA BELA

Canção Para Uma Bela (Fábio Terra)

Teu dorso lindo em mim,
Provoca.
Libertinos pensamentos no meu corpo,
Sedento por afagar tuas costas,
Morder tua nuca e puxar os teus cabelos.

Chegar até seu coração por entre teus seios.
Minha mão, segura e firme,
Deixa os meus pensamentos se transformarem em paixão,
Movimento.

Apertando-te,
Forte,
Por trás, para que sinta o meu corpo,
Rijo, bruto,
Um convite para que deixe que me enrole em cima de tua alva pele.

Mordendo tua boca, acariciando nervosamente tuas ancas,
Secando o meu suor em teus cabelos.

Só então beijo-lhe os pés e subo com o calor da minha língua,
Sugando tua vulva, quente e macia.
Para explodir em um gozo mais que merecido, por te domar
Sem dor, mas com calor, amor e carinho.

POR QUE TEU BEIJO VICIA?

POR QUE TEU BEIJO VICIA? (FÁBIO TERRA)


ELA QUER VINGANÇA
POR UM CORAÇÃO PARTIDO
OLHA O CÉU E PENSA
QUE UM CORTE PODE SER DIVERTIDO

ELA QUER VINGANÇA
E SORRI TODA POR DENTRO
ESPERANDO O MOMENTO CERTO
PRA ACERTAR MEU CORAÇÃO BEM NO CENTRO

ELA OLHA NO FUNDO DOS MEUS OLHOS
E NÃO PERCEBE O MEU SORRISO POR DENTRO
SEU ATAQUE FOI EM VÃO, SEM CORTE SEM DIVERSÃO
SEU OLHAR EXPOSTO COMO SANGRIA, A BOCA SECA ME PERGUNTA E GRITA
POR QUÊ? TEU BEIJO VICIA

ELA QUER VINGANÇA
ME PROCURA FINGINDO NÃO ME ACHAR
TEM MEDO, QUER COLO COMO CRIANÇA
UMA MÃO PRA NÃO SE SOLTAR

ELA QUER VINGANÇA
E EU POR AÍ , RINDO DE MIM FELIZ
BENZINHO A VIDA É ASSIM
UMA DANÇA ATRÁS DA OUTRA , FIM

ELA OLHA NO FUNDO DOS MEUS OLHOS
TENTANDO ENXERGAR
SEU ATAQUE FOI EM VÃO, SEM CORTE, SEM DIREÇÃO
MEU SORRISO FOI SEM PERDÃO
ELA CHORA, ELA CAI, NÃO CONSEGUE ESQUIVA
ELA GRITA, POR QUÊ? TEU BEIJO VICIA.

terça-feira, 8 de maio de 2007

POEMA DA DOR

Poema Da Dor (Fábio Terra)


Não tenho esse humor porque quero, mas por precisão,
Outrora caminhos percorridos apenas com amor,
Me levaram diante da mais pura dor.

Foquei-me apenas na ferida, ainda úmida e quente,
Senti-la, pude eu, quando minha língua a tocou
Estranho paladar, o sangue corre livremente.

Não tenho esse rancor porque quero, mas por precisão,
Outrora caminhos percorridos apenas com amor,
Me levaram diante da mais pura dor.

Inveja é doença? Pra alguns é crença,
Senti-la, pude eu, quando minha língua a tocou
E doente fiquei sem crer.

No amor, na ferida, no fino veio de vida
Que culpa tenho eu?

Não tenho esse humor porque quero, mas por precisão.

POEMAS CHINESES

Poemas Chineses (Cecília Meireles)


A verde montanha se estende para além da Muralha do Norte.
Brancas águas cercam a Muralha do Leste.
Quando aqui nos separarmos,
sereis a erva aquática vogando para grandes distâncias.

As nuvens errantes me farão pensar em quem viaja.
O sol poente me recordará do antigo amigo.
Já vos afastais e acenamos com as mãos.
Nossos cavalos, um para o outro, relincham tristemente.

NUM BELO DIA, ME PUS A ESCREVER.

Num Belo Dia, Me Pus A Escrever (Fábio Terra)


Num belo dia
Me pus a escrever,
Detesto ler
Mas sei o quão é importante e insuportante
Tal ingênuo
Passatempo.

Num belo dia
Me pus a escrever,
Entediado com o dia, sem meio sem fim,
Importante meio
Que liga o fim ao começo
Do verso

Num belo dia
Me pus a escrever,
Tentando claustrofobicamente
Moldar, encaixar, construir a palavra em verso
Inebrio e concreto
Um tédio.


Num belo dia
Me pus a escrever,
Certo que o torto é certo
Tão torto que se faz meu verso
Preso dentro de mim, escorrendo por meus dedos
Mas, meu verso.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

5:45

5:45 (Fábio Terra)

Sobre a grama molhada,
Com o orvalho da manhã.

Sigo com passos lentos protegidos pelo Sol
E sinto a grama crescendo, umedecida.

E eu escuto a música que o Sol
Canta quando bate em mim.

O ÚTERO DE MINHA MÃE

O ÚTERO DE MINHA MÃE (Fábio Terra)

Gritei!
Quando Minha primeira casa deixei,
O útero de minha mãe.

Assim,
Quando acordei na minha primeira manhã
Estranhei o que vi, o que enxerguei.

Mas logo chorei,
Por leite, colo e carinho
Egoísta como um artista
Que implora aplausos numa tarde de domingo.

Só então dormi,
Sem entender, nem saber e sem sonhar,
Pra depois, acordar.

No meio da noite , no mundo, sozinho,
Gritar!
Sentindo falta do útero de minha mãe.
Meu primeiro lar.

domingo, 6 de maio de 2007

CONTRA MÃO

CONTRA MÃO (Fábio Terra)

Os barões continuam a beber em seus copos de cristais,
E eu caminho olhando as luzes do centro da cidade
Me chamando, seduzindo com seu sedutor toque “Noir”
Cheio de putas, drogas e estórias pra contar.

E esses mesmos barões me convidam pra beber.
Seu mais caro “Cabernet”
Mas eu cuspo contra o tédio, andando na contra mão
Contando as minhas estórias
Cheias de putas, mentiras e drogas impregnadas em meu coração.

Andando na contra mão, sem ouvir a gritaria
Brigando com o certo, esmurrando a certeza
Correndo no meio da rua, sem ouvir a gritaria
Brincando com o tempo, espremendo minha cabeça

Os caretas têm suas caras fechadas
E suas roupas emplumadas, mal cortadas
Os “Bundões” se declaram, como donos de tudo
E eu ando contra, reclamando de tudo, verdade isso é.

Indo na contra mão, sem ouvir a gritaria
Brigando com o certo, esmurrando a certeza
Correndo, cansando, enraivecendo
De joelho para o amor
Mas de punhos cerrados para a dor.

O CAVALEIRO DA TRISTE FIGURA

O CAVALEIRO DA TRISTE FIGURA (Fábio Terra)

Eu, O Cavaleiro Da Triste Figura,
Não me espanto com gigantes e angústias.

Porém ao ver teu sorriso, caio de joelhos,
Percebo os teus olhos, sinto-me alvejado
Pelo medo ardil e mascarado.

Eu, O Cavaleiro Da Triste Figura,
Não me espanto com gigantes e angústias.

Mas ao ouvir tua voz, queima-me por dentro,
O fogo da vontade de ser servo sem perguntar,
de deixar de ser livre sem lutar,
E de deitar em seu colo e chorar.