domingo, 19 de agosto de 2007

O ALIENÍGENA.

O Alienígena. (Fábio Terra)

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval,

Fica pasmo, ninguém o testemunha,
Desfila com espanto junto a uma chuva
De confetes de jornal, das manchetes de ontem,
Que caem sobre a rua.

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval,

Sua fantasia de tão verdadeira passa despercebida
Desfila o seu espanto, mas sem compasso, sem samba
Trejeito estelar de desengonço, não cansa de observar.

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

O bumbo marca o ritmo do andar,
Ele sobe contra o bloco dos eufóricos,
E de mão se dá com a banda dos Barões da Rua Esquecida.

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

Piscam luzes, em um pobre cenário popular,
Lembranças da Lua, na rua? Aí está, Colombina a rebolar,
O alegórico carro passa como se uma nave fosse
Nua nau interestelar.


O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

O Arlequim triste pela Colombina não está,
Colombina pela mão convida o Alienígena,
Para um ménage a trois, carnaval, festa popular!

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

O bumbo descadencía, diminui a alegria,
A Banda dos Barões da Rua Esquecida,
Toca sua última marcha vazia,
Acabou a farra Colombina.

O Alienígena sobe na nave espacial,
Volta pra longe, sobe pra Lua,
No final do domingo de carnaval.

BRINQUEDO DE SE LER.

Brinquedo De Se Ler (Fábio Terra)

Silencioso, o escuro da clausura,
Leva-me daqui até as arbitrárias palavras,
Que em movimento cognativo transformo,
Em brinquedo de se ler.

Em dedos atrasados,
Que sofrem para apreender as letras,
Onde mais tarde, na tarde do fim do dia
Transforma-as em brinquedo de se ler.

Acabou - se a Coca – Cola,
Acabou-se o pão murcho com manteiga,
Acabaram-se as horas,
Acabou-se a noite.

Chegou o dia, e com ele,
O desejo do amigo Sono.
Onde mais tarde, na tarde do fim do dia
Transforma a noite, em brinquedo de se ler
Na madrugada enclausurada,
Apenas iluminada pela luz do kitchie abajour clichê.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

SAUDAÇÃO.

SAUDAÇÃO (Ezra Pound)

Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,
Tenho visto pescadores em piqueniques ao sol,
Tenho-os visto, com suas famílias mal-amanhadas,
Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.
E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir.