domingo, 27 de dezembro de 2009

CIGARRO ACESO

CIGARRO ACESO ( Fabio Terra)

Um cigarro aceso
arde em brasa até minha boca
Queima os meus lábios
e mesmo assim grito que te amo.

Meu sangue escorre
e eu o degusto
como vinho ruim
a espera de seu beijo cauterizante.

Olha pra mim! Grita ao menos!
Sentes nojo da minha boca
dilacerada pelo fogo
que você negou, quando te afaguei?

Vá embora então
como uma nau sem direção
me deixe, então, sem beijo
sem seu coração.

sábado, 26 de setembro de 2009

GENUFLEXÓRIO.

Genuflexório (Fabio Terra)


Tento, pendo
E eu aqui no genuflexório
Peço, grito
Rezo

Grito, choro
E eu aqui no genuflexório
Rezo, peço
Tento

Tanto peço
E eu aqui no genuflexório
Tento, grito
Pendo

Pendo o grito
E eu aqui no genuflexório
Peço o preço
Rezo

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

BALADA DE UM IDIOTA VIOLENTO.

Balada De Um Idiota Violento. (Fabio Terra)

Bati em meu rosto
Enrolei a corda e puxei.
Não senti nada a não ser cansaço,
Me faltou ar
Então soltei

Tentei de novo, não consegui.
Bati com a cabeça na parede
Não sangrei
Fiquei tonto
Então deitei

Busquei saída entre a porta
Quebrei
Escapei, me deparei com grades
Então sentei

Tive raiva, rancor e dor
Me soquei
Até sentir gosto de sangue, na minha língua
Então degustei

Vieram os comprimidos.
O copo o álcool a incosequência
A dose perfeita,
Então desmaiei.

O GUARDA CHUVA.

O Guarda Chuva (Fabio Terra)

A chuva é de todo mundo.
Mas o guarda chuva é só meu!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

LINHO BRANCO

Linho Branco (Fabio Terra)

Me visto com roupas limpas
para o meu sujo corpo não se revelar
Olho no espelho meu ego inflamado
onde o linho branco impecável
-esconde meu jeito pobre de amar.

Madrugada adentro me desprendo do jeito certo de andar
ouço palavras sujas, que acendem meu olhar curioso
Para o lado torto do porto, onde vento da maresia
de leve na noite, me lambe o rosto
-lembrando o meu jeito pobre de amar

Meu olhar inflamado sujo e disfarçado
pelo branco do linho cansado,
move minha vontade cretina de buscar um colo, um par.
-para o meu jeito pobre de amar

Ando sem cuidado com o olhar excitado
sujo por dentro por fora mal acabado
gritando por qualquer uma no bairro, exibindo meu linho branco impecável.
-e o meu jeito pobre de amar

quinta-feira, 5 de março de 2009

O BEIJO ENTALHADO. ( Soneto I )

O Beijo Entalhado ( Fabio Terra)

Entalho meu beijo no teu rosto
tão profundo quanto a carne possa suportar
Amarro o teu corpo com meu abraço
tão forte quanto a âncora da nau vida possa segurar.

Espeto o meu olhar desesperado em teus olhos
esperando uma lágrima amor do teu alvo rosto
Deixo meu hálito em teu dorso
Como, se por mim, pudesses gritar.

Arranco com meus caninos
um beijo dos teus lábios roxos,
me corto de amor por não poder mais suportar.

Penetro a lâmina fria no meu gélido estômago
onde as vísceras da minha paixão imploram,
o teu amor, o teu amor e nada mais.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

SONHANDO COM VOCÊ.

Sonhando Com Você (Fabio Terra)

Sonhando com você
Porque para mim o sonho é tudo que me resta

Sonhando pra você
Não adianta mais sonhar por mim

No meio da noite, sou raiva e triste,
Não me sobra mais nada
Nem a dor do corpo nem o som da minha alma

Sonhando com você
Porque para mim o sonho é tudo que me resta

Sonhando pra você,
Não adianta mais sonhar por mim

A pressa que tenho é suave como uma nuvem em céu de brigadeiro
Olho meu reflexo no espelho e vejo,
Tudo que você detesta

Sonhando com você
Porque para mim o sonho é tudo que me resta

Sonhando pra você
Não adianta mais sonhar por mim

O rio continua seu monólogo,
Sem se importar com minhas lágrimas mimadas,
Olho o meu reflexo na água e vejo tudo que você detesta

Sonhando com você
Porque para mim, o sonho é tudo que me resta

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

PEQUENA AMIGA.

Pequena Amiga (Fabio Terra)

Estranha amiga que captura meu jeito esquisito de falar
Com ela sempre posso inteligentemente conversar, raro hoje em dia
Trocar palavras, falar porcaria, beber malte inglês com cola americana.

Difícil de explicar doce dança que seu sorriso espalha no ar
Eu gosto do sorriso dela, interessante, pois é?
Protonotária de argumentos irônicos
Onde ironia e sarcasmo se misturam,
Tal pequena amiga consegue separar

No seu sangue corre paixão, desde sempre
Seu coração é paixão, sempre.
Repousa a agitação de quem quer o mundo entender

Faz falta não é? Não sei o quanto faz juro eu, imagino apenas
Mas seu sorriso é paixão, ela sabe, assim como eu e poucos
Com você sempre posso inteligentemente conversar, raro hoje em dia
Trocar palavras, falar sentimentalidades, beber malte inglês com cola americana.

E aqui tal pequena amiga, sempre tens onde encostar
Onde a ironia e sarcasmo se misturam,
Um ombro para rir e se quiseres também, chorar.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

MAIS UMA XÍCARA DE CAFÉ.

Mais Uma Xícara de Café. (Fabio Terra)

Mais uma xícara de café antes de ir para o Vale Baixo, quem sabe um afago nas suas têmporas podem te fazer mudar de idéia, quem sabe, essa idéia de que o mundo não é tão mundo só porque não é do jeito que você pensa, não passa de atraso emocional ou se melhor achar, avanço juvenil ou ainda birra infantil da qual faço parte, birrentos infantis com um certo atraso emocional.

Um beijo na boca! Isso sim, sempre é bom, mesmo com hálito de café, que transforma o beijo em um beijo com gosto velho e envelhecido fica ainda mais, se esse beijo vier com fumo, fumo de qualquer espécie, mas.....beijo é beijo, é como um dopante uma ponte para as nuvens, boca com boca, lábio com lábio, as línguas se entrelaçando junto com o abraço e o aperto dos corpos, cena tão vulgarizada, banalizada, esqueçida; o beijo, a língua, o corpo, o abraço, parece até clichê de cinema barato, romantismo pois sim.

Depois do beijo, mais uma xícara de café antes de se ir para o Vale Baixo, bebi demais, falei demais, aliás, falar muito deixa a gente tonta, mistura de ansiedade com sono, já passou por isso? É agradável e ao mesmo tempo frustrante, ansiedade e sono... não se combinam, por isso você sai correndo em busca de assunto, na rua, e só encontra beijo, beijo com café.

Mais uma xícara de café ante de se ir para o Vale Baixo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

INSANIDADE.

Insanidade ( Fabio Terra)

Sim, a insanidade!
Romântica pra muita gente
Dolorida pra quem a vê todos os dias.

Tu também quiseras ser insano,
Resolve muitos problemas
Conformidade.

Existe uma certa santidade,
Quase casta em ser insano,
- Tudo podes, tudo tens –

Sabor de porcaria, de palavra barata,
Que sempre é induzida ao veneno da inconseqüência,
Embebedada com a santa dó, piedade.

Sim, a insanidade!
Para uns, romantismo,
Para outros voraz realidade.