sábado, 15 de setembro de 2007

RECEITA PARA O NÃO JUÍZO.

Receita Para o Não Juízo. ( Fábio Terra)

Não ter juízo é fácil.
Pegue um pouco de inconsequência,
Adicione à ela uma pitada de rebeldia,
Misture com uma certa malandragem no olhar,
Jogue bastante charme,
Deixe esquentar até ferver o ego,
Aí coloca-se um pouco de arrogância junto à uma certa simpatia,
E pronto, sirva-o acompanhado de um bom vinho.

ESPERANÇA, PASSOS DEVAGAR ELA POSSUI.

Esperança, Passos Devagar Ela Possui. (Fábio Terra)

Andando devagar como se seus passos possuíssem
O peso do vento.
Em um tempo em que floresta, homens e criaturas
Viviam em harmonia.
A felicidade escorria por entre seus segredos,
Ainda leve escondia.
Em um último aceno a criação do mundo
Rústico, mas engrenado perfeitamente.

De um sopro nasceu o Dia, de um abraço
A Noite surgia, mas pedia amigas,
Estrelas vieram e refletiam
Apenas alegria.

O Sol veio em um grito, forte
De uma lágrima veio a Chuva
Que lavou nossa tristeza
Princesa Terra triste com o mundo
Que a fez chorar
Deixou como castigo, herança, para os homens
Triste de se pensar,
Apenas a esperança.

SEROTONINA MOFADA COM MORFINA.

Serotonina Mofada Com Morfina. (Fábio Terra)

Carmapazepina
Citalopram
Clonazepam
Lítio
Lexotan
Anafranil
Depakote
Rivotril
Aspirina
Cafeína
THC
Torazina
LSD
Serotonina
Tabaco
Morfina
Mofo
Raiva
Fé
SEXO
Religião
Madrugada
Risada
Lágrima
TÉDIO
Dia.

ANESTESIADO AS 4 DA MANHÃ.

Anestesiado As 4 da Manhã. (Fábio Terra)

Anestesiado às quatro da manhã,
Busco refúgio em teus braços,
Mas reclamas do odor da boemia
E pedes para mim, que fuja das estrelas.

A textura dos teus pelos ficou marcada em meus dedos,
Me fazendo lembrar do teu cheiro, perfumado,
Anestesiado às quatro da manhã,
Busco refúgio em teus braços,

E pedes para mim, que fuja das estrelas.
Mas reclamas do odor da boemia,
Sabendo que me impregna a pele como tatuagem,
E assim o refúgio de teus braços, não mais terei.

Anestesiado às quatro da manhã,
Reclamas do odor da boemia,
Busco refúgio em teus braços,
E sabendo que me impregna a pele como tatuagem.

Assim o refúgio de teus braços, não mais terei.
Até o cheiro da noite do meu corpo arrancar,
De minha pele tirar uma a uma, as estrelas,
Que nela ficaram.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O ALIENÍGENA.

O Alienígena. (Fábio Terra)

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval,

Fica pasmo, ninguém o testemunha,
Desfila com espanto junto a uma chuva
De confetes de jornal, das manchetes de ontem,
Que caem sobre a rua.

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval,

Sua fantasia de tão verdadeira passa despercebida
Desfila o seu espanto, mas sem compasso, sem samba
Trejeito estelar de desengonço, não cansa de observar.

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

O bumbo marca o ritmo do andar,
Ele sobe contra o bloco dos eufóricos,
E de mão se dá com a banda dos Barões da Rua Esquecida.

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

Piscam luzes, em um pobre cenário popular,
Lembranças da Lua, na rua? Aí está, Colombina a rebolar,
O alegórico carro passa como se uma nave fosse
Nua nau interestelar.


O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

O Arlequim triste pela Colombina não está,
Colombina pela mão convida o Alienígena,
Para um ménage a trois, carnaval, festa popular!

O Alienígena desce da nave espacial,
Vem de longe, e sobe a rua em um domingo de carnaval.

O bumbo descadencía, diminui a alegria,
A Banda dos Barões da Rua Esquecida,
Toca sua última marcha vazia,
Acabou a farra Colombina.

O Alienígena sobe na nave espacial,
Volta pra longe, sobe pra Lua,
No final do domingo de carnaval.

domingo, 19 de agosto de 2007

BRINQUEDO DE SE LER.

Brinquedo De Se Ler (Fábio Terra)

Silencioso, o escuro da clausura,
Leva-me daqui até as arbitrárias palavras,
Que em movimento cognativo transformo,
Em brinquedo de se ler.

Em dedos atrasados,
Que sofrem para apreender as letras,
Onde mais tarde, na tarde do fim do dia
Transforma-as em brinquedo de se ler.

Acabou - se a Coca – Cola,
Acabou-se o pão murcho com manteiga,
Acabaram-se as horas,
Acabou-se a noite.

Chegou o dia, e com ele,
O desejo do amigo Sono.
Onde mais tarde, na tarde do fim do dia
Transforma a noite, em brinquedo de se ler
Na madrugada enclausurada,
Apenas iluminada pela luz do kitchie abajour clichê.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

SAUDAÇÃO.

SAUDAÇÃO (Ezra Pound)

Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,
Tenho visto pescadores em piqueniques ao sol,
Tenho-os visto, com suas famílias mal-amanhadas,
Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.
E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir.