O Verme (Fabio
Terra)
Sou o verme
preso ao escuro cósmico telúrico
Rastejo atrás da seiva, alimento para minha vida
sem alma.
A podre carne
das chagas plebeias
já me serve de
entrada,
Esperando pelo
preparo da chuva,
molhando a carne
junto ao calor da terra
que acelera o seu cozer.
Bactérias se manifestam,
vindas sem convite
para o banquete,
Glutonas não
perdoam
boca, nuca,
peito, membros, o corpo, o homem.
Cego sou, não
vejo os outros vermes.
todos com fome,
Começa
a guerra começa a glutonia
devo lutar, devo investir, não há monotonia
Quero o meu pedaço,
Intestino,
estomago, vísceras, baço
Quero mastigar, por à mostra a gula
Micróbios chegam
até ao banquete,
Luxuriantes
sodomitas, buscam o seu prazer
onde o
sátiro exalta a vida e mastigam com
calma
o sabor antisacro.
Perco mais uma chance, chego ao encéfalo
e então corro até a fauna cavernícola do crânio
Onde me
delicio com alucinações vorazes,
Paladar contínuo que vicia, então continuo,
O encontro com lobo frontal, o rasgo do
corpo caloso,
chego ao cerebelo e mastigo tudo antes dos outros
Até
chegar à arvore da vida, que ali diante de mim
é devorada no morto corpo.
As asas
negras das moscas chegam,
Irão
pousar pra dar criadouro às suas crias
O clima é propício para a gestação
os ovos
explodirão e nascerá a nova geração.
Minha vida
verminal continua,
através do negro cósmico da terra,
até encontrar outro corpo.
Podre
pelo sangue humano, imerso nos males d’alma