terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O VINHO DO ALCAIDE.

O Vinho Do Alcaide (Fábio Terra)

Ergamos as taças com vinho barato
À todos aqueles que se julgam nobres
Que comem com as próprias mãos
E não se enxergam nos peixes de sangue frio.

Tomemos o vinho barato da garrafa relíquia
E com classe deixemos o nosso hálito envinagrado
Curtido pelo azedume da arrogância hereditária
Que maltrata a vida e deixa o homem estragado.

Vamos contemplar o estúpido mentecapto
Pelas suas posses reluzentes em ouro e prata
E seus sapatos limpos como o seu corno
Vaga idéia que se vai a cada palavra insustentável.

Deixe-me, me despir dessa poeira galanteadora
Colocar meus pés no chão
Sem sandálias
Sem rumo
Sem ouro ou luz
Sem alarde do Alcaide.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O MUNDO QUE ME CERCA.

O Mundo Que Me Cerca (Fábio Terra)

Fui pego desprevenido certa vez
E comigo uma lista de cuidados proibidos
Mensagens ocultas entalhadas no cacto
Que por minha estupidez
Achei que os espinhos poderiam proteger.

Segue minha lista de embaraços:
1 espelho, pura alegoria carregado por vaidade
2 lâminas pra cerrar as sobrancelhas
1 carretel de linha sem uso
Meu livro preferido
1 panela para barulho fazer
Minha foto preferida de você
1 pinico expandido azul celeste
Minha pá pra enterrar o passado.

Tive que partir sem nada, só com imediatas lembranças,
Mundo externo estranho,
Bebi água no cocho do rebanho
Descalço começei caminhar.

As Lesmolisas já na frente estavam
Bicho estranho, rasteja sem marcar a terra,
Já eu bicho ignóbil descerebrado
Caminho marcando o chão
Sempre em passo desacelerado.

Como bosta, que o mundo “cerqueia”

SORRISOS.

Sorrisos (Fábio Terra)

Sorrisos, sorrisos, sorrisos,
Sorrisadas sorridas ao vento
Que vai passando devagar e comprido.

Onde estava o afortunado,
Que ganhou o sorriso daquela bela,
Sem ter que fazer força,
Sem ter que dizer o seu próprio nome.

O que ele tem de diferente
Seria o olhar, reto e quente
Seria o sorriso trancado com dentes

Mas o que o afortunado tem de diferente
A não ser um sorriso
Também como o meu cheio de dentes.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TODOS OS DIAS VOCÊ BRILHA PARA MIM.

Todos os Dias Você Brilha Para Mim. (Fábio Terra)

Quando a vejo no teu Sono Preguiça,
Observando, fico, em cada centímetro do teu corpo
a minha paixão.

É difícil dizer-te que te amo
Mas é ébrio sentir a palpitação do meu coração,
Como em uma oração rotunda do amor.

A razão não permite te tocar, minha Alva Rainha,
Mas a inconseqüência dos amantes
Obriga-me a roubar–te um beijo,
Na madrugada de todos os dias.

É difícil dizer-te te amo,
Fácil é olhar por dentro,
De teu sono tão puro,
Dilatada exaustão isotópica.

Vivendo o poder de viver,
O resto de nossas vidas lado a lado,
Acordado te olhando, amando e vigiando teu sono.

Haaa! Como amam os vitoriosos,
Por terem contigo, a mais bela das estrelas,
Transbordando a inatividade do meu ócio,
Brilhando todos os dias, só para mim.



Para Jane

sábado, 29 de setembro de 2007

BRINCANDO DE FAZER NADA.

Brincando de fazer Nada. (Fábio Terra)

Inquieta atitude quieta nutrindo o olhar,
Explode na íris figuras do presente, vista no chão,
Pensamento voa em velocidade acelerada,
Sapato na mão, o Passado de sorriso largo,
E o Futuro de abraço aberto de estendida, a mão.

Enquanto os dedos não cambaleiam,
De cansaço do coração preguiça,
Não deixa cair o scarpin no afã desse átimo atemporal,
Descansa a mente brincando de nada fazer,
A não ser, ser você mesma,
Na inquietude ansiosa de querer sempre o novo.

O sofá, confortável não é, sem graça até,
O chão é mais rebelde, mesmo que em uma aristocrática pose,
Consegue brincar de fazer nada, com seu coração criança,
A figura que a íris captura não cansa tua imaginação, que dança,
Através de lembranças, combustível pra o futuro.

O scarpin caiu, a revista chegou ao fim.
A espreguiçada ronronada como a de uma gata, chama,
Para sonhar com passado e o futuro juntos, que nem queijo com goiabada,
Brincando de fazer nada.

sábado, 15 de setembro de 2007

RECEITA PARA O NÃO JUÍZO.

Receita Para o Não Juízo. ( Fábio Terra)

Não ter juízo é fácil.
Pegue um pouco de inconsequência,
Adicione à ela uma pitada de rebeldia,
Misture com uma certa malandragem no olhar,
Jogue bastante charme,
Deixe esquentar até ferver o ego,
Aí coloca-se um pouco de arrogância junto à uma certa simpatia,
E pronto, sirva-o acompanhado de um bom vinho.

ESPERANÇA, PASSOS DEVAGAR ELA POSSUI.

Esperança, Passos Devagar Ela Possui. (Fábio Terra)

Andando devagar como se seus passos possuíssem
O peso do vento.
Em um tempo em que floresta, homens e criaturas
Viviam em harmonia.
A felicidade escorria por entre seus segredos,
Ainda leve escondia.
Em um último aceno a criação do mundo
Rústico, mas engrenado perfeitamente.

De um sopro nasceu o Dia, de um abraço
A Noite surgia, mas pedia amigas,
Estrelas vieram e refletiam
Apenas alegria.

O Sol veio em um grito, forte
De uma lágrima veio a Chuva
Que lavou nossa tristeza
Princesa Terra triste com o mundo
Que a fez chorar
Deixou como castigo, herança, para os homens
Triste de se pensar,
Apenas a esperança.