terça-feira, 7 de maio de 2013

DIA A DIA

Dia a  Dia (Fabio  Terra)

Cada dia mais desanimado, cada minuto  mais triste,
cada segundo com mais raiva, com o pulso acelerado,
e os argumentos em riste.
 
A cada instante com o  coração  mais endurecido
A cada momento com mais tristeza, e com o pulso cerrado
Por trás dos olhos cada vez mais cansados.
 
Cada noite mais acelerado, cada gole mais irresponsável
Surge, assim, cada vez a  palavra mais acida,
Cada vez mais sem amigos.
                                                  - Não  me importo.
 
Cada dia com mais certeza
Cada certeza mais hipócrita
E a hipocrisia cada vez mais culta
 
E eu  um ignóbil cínico
Cada dia mais idiota.


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O ARROGANTE DA RUA

O Arrogante Da Rua ( Fabio Terra)


Sou arrogante, mesmo diante da queda
Há quem me compare a um cão,
Que late sem chamar atenção
Obnóxia tentativa da simples visão

 
Sou  arrogante, mesmo diante da pressão.
Não serão  duas palavras, que mudarão
A esquadra que armo contra o bom mocismo
Cuspindo injurias e verdades absolutas

Sou  Arrogante mesmo
Descendo  a rua cheio de razão
Latindo a esquisitíssima prosódia
Que antes eram canções e hoje são  risadas

Sou arrogante mesmo
E de noite, vou gozar, ébrio de vício,
No sombrio bazar do meretrício,
O cuspe afrodisíaco das fêmeas.

 


 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

ESCARRO

Escarro ( Fabio Terra)

À patavina com tua ignorância pérfida
Queria poder cuspir na tua cara
Mas até o meu escarro tem amor próprio

Eis que o teu anseio pelo colo falso
Traz o veneno bobo da infância, que juras ter saído
Queria poder cuspir na tua cara
Mas até o meu escarro tem dividas com o juízo

És bem querida? Benquista e afortunada?
Sabes de tudo e  é sempre tão  perfeita
Apenas diante do espelho,
Que lustras com tua empáfia

Queria poder cuspir na tua cara
Mas até o meu escarro sente náuseas

sábado, 5 de janeiro de 2013

ÓPERA BUFA

Ópera Bufa (Fabio Terra)

 Não existe certeza para o pai,
Não existe o orgulho de ver o homem feito
E dele dizer, -“é como à mim”
De certeza só a que é apenas um doido, um louco qualquer.

Louco onde sua religião é a agressão gratuita,
as palavras venenosas
Os punhos cerrados, os dentes trancados
E a conta sempre muita cara.

Filho  como  esse talvez ninguém mereça
Mesmo  que ame todos os defeitos do  pai
E dele diga com  orgulho juvenil - “sou igual à ele”

E a noite termina como  em uma ópera bufa,
Onde a dramaticidade cafona, impera,
Em um palco sem luz, sem roteiro e sem talento dos atores
Todos canastrões.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FILHO DAQUELA

Filho Daquela (Fabio Terra)

 
Frutos de amores pagos
De paixões compradas em esquinas sujas
Não me encham o saco
Não provoquem minha ira estúpida.

Acomodem em seus rabos
Todas as injúrias
Todas as suas verdades absolutas

Engulam a arrogância, suportem a consciência
E sejam apenas aquilo que a vida lhes deu
Apenas, Filhos da Puta.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

THE END OF THE WORLD

The End of The World (Fabio Terra)

 
Que venha o fim do  mundo
Tão falso quanto um beijo sem paixão
Tão chato quanto transa sem tesão
Tão  rock quanto  o  Brasil

Que caiam raios e trovões
Que venha o fogo e as lições
Que aproveitemos as liquidações

Que exploda o  planeta
Mas devagar pra podermos assistir na televisão
Twittar e colocar  no  facebook,
Reclamando em português errado
Ignorantes, pretensiosos e tão  cheios de razão.

Que venha o  fim do mundo
Tão sem graça quanto  a minha geração

 

O VENTO DAS BOAS NOVAS #2

O Vento das Boas Novas #2 (Fábio Terra)

O vento das boas novas veio me avisar,
Soprando  os seus cabelos, descobrindo o seu olhar
mostrando  o seu rosto me fazendo acreditar,
Que tudo nesse  mundo, realmente pode mudar.

E eu estou sentado na varanda,
Com seu abraço e Deus pra me acalmar.


Noite escura, pra mim é como dia,
Não tenho certeza se todos os loucos são mesmo filhos de Deus,
Eu tomo uma aqui, eu   exagero por ali,
Mas, nunca sei aonde vou cair.

Estou sentado na varanda,
Com seus abraços  e Deus pra me ouvir.

Eu tenho as feições de um estúpido,
Entalhadas bem na minha cara,
Para esconder, meu jeito arrogante,
E não mostrar os meus temores.

 Estou sentado na varanda,
Gritando sozinho pra Deus pra tirar as minhas dores.

Como um surdo e insensível eu  andei  sem parar
Procurando desculpas, que ninguém podia me dar
Fiquei tão cansado, que nem o sol consegui enxergar,
E o vento que bateu no meu rosto não conseguiu me acordar.


 E estou sentado na varanda,
Com meus demônios e Deus pra me segurar.